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Jovem que sobreviveu à raiva humana volta para casa em PE
Fonte: O Estado de S.Paulo
Notícia publicada em: 21/09/2009
Autor: Angela Lacerda |
Onze meses depois de ter contraído raiva humana ao ser mordido no tornozelo por um morcego enquanto dormia, Marciano Menezes da Silva, de 16 anos, recebeu alta ontem do Hospital Universitário Osvaldo Cruz, no Recife. Morador de Floresta, no sertão pernambucano, o jovem passou quatro meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros sete no isolamento. É o primeiro caso de cura da raiva humana no País.
Marciano está com limitações motoras - não anda e tem dificuldades para falar. Em entrevista, ao deixar o hospital, ele disse estar com saudade do irmão e do cachorro e que queria comer macarronada com carne de bode ao chegar em casa. O jovem foi levado até Floresta, que fica a 433 quilômetros da capital, de ambulância. Foi recebido pela família na fazenda Santa Paula, na zona rural da cidade.
Marciano deve retornar ao hospital no Recife daqui a três semanas para avaliação e acompanhamento fisioterápico. Uma cirurgia no quadril, que poderá lhe dar mais mobilidade, está prevista, mas não tem data marcada.
O tratamento do jovem, que incluiu antivirais, analgésicos e sedativos, assim como indução ao coma, foi adaptado do Protocolo de Milwaukee, de autoria do médico Rodney Willoughby, de Atlanta (EUA), responsável pela cura de uma adolescente americana, em 2004.
Ela é o único caso do mundo de cura da doença e ausência de sequelas. O outro caso ocorreu na Colômbia, mas o paciente, mesmo curado do vírus, morreu de complicações posteriores.
Marciano foi o 16º paciente submetido a essa terapia no mundo. De família pobre, o jovem saiu do hospital com uma cadeira de rodas, que ganhou de presente.
Ele deu entrada no hospital no dia 10 de outubro do ano passado, quando já apresentava os primeiros sintomas da doença - salivação excessiva e agitação.
A DOENÇA
A raiva é transmitida a humanos pela mordida e arranhões de animais contaminados pelo vírus, como cães, gatos, morcegos e macacos.
A doença pode ser evitada se o paciente lavar bem o ferimento logo após a mordida e receber rapidamente a vacina e ou o soro.
Sem essa providência, a raiva leva à morte, apesar de haver meios para aliviar o sofrimento. Os sintomas começam de forma branda, com dores de cabeça, salivação excessiva, mudanças de comportamento e convulsões. Em geral, o paciente é sedado até a morte, que ocorre, em média, em até dez dias.
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